Pelas mãos de Carolina e Conceição: Memórias, Silenciamentos e Resistência
”Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?” Fabiana Correia Moura O que há de mais belo na afroliteratura, ou pelo menos, o que enxergo e vivêncio, é o modo como as “escrevivências” destas mulheres e suas existências me fazem menina e pegam-me pela mão conduzindo ao caminho de retorno a minha infância. Um tempo feliz, de brincar na rua, jogar bola, rir alto, contar histórias e tomar banho pelas águas do Rio de Contas em Jequié na segunda-feira, dia de lavar roupa. Estas memórias nos acalentam, pois a face abrupta da escassez, do racismo, da exclusão não faz questão de se esconder, por mais que tentemos nos desviar, as “pulsões de morte” , de medo, caminham paralelas as “pulsões de vida” disputando espaços nas avenidas da vida. Assim como Carolina Maria de Jesus, sim, “ Meu sonho era escrever “ , a escrita de uma ‘ vida experimentada” que Elane Nardoto desperta no tecer da colcha de fuxicos de suas filosofias femininas. “ Escrita de si’ . ...