“O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia"

 



“O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume e, por isso, não tem culpa nem autocrítica. Costumam descrevê-lo como sutil, mas isto é um equívoco. Ele não é nada sutil, pelo contrário, para quem não quer se iludir ele fica escancarado ao olhar mais casual e superficial.” (Abdias do Nascimento)

Abdias  foi um dramaturgo, pintor, escritor, professor, deputado e senador da República. Em 1944, Abdias criou o Teatro Experimental do Negro. Na época, uma iniciativa totalmente insólita que tentava promover a inclusão de atores, diretores e autores negros. Como parlamentar, Abdias Nascimento apresentou diversos projetos para reduzir a desigualdade racial.

As forças de Segurança Pública, as Instituições, a sociedade geralmente negam o racismo em suas abordagens. Alegam que são casos isolados, acusam praticamente na totalidade, pessoas negras. Por isso, gritar que “Vidas Negras Importam” é imperativo diante dos fatos e da realidade. É despreparo técnico? Talvez.  A ausência de Educação em Direitos Humanos com recortes de gênero/raça/classe corrobora para perpetuação das violências múltiplas no Brasil. As desigualdades, a truculência, violação de direitos sustentam a estrutura de privilégios para os velhos grupos históricos. Vamos aos fatos!

Durval Teófilo, 38 anos, homem NEGRO foi morto a tiros pelo vizinho no dia 02 de fevereiro de 2022 por Aurélio Alves Bezerra, Sargento da Marinha que alega ter confundido o homem com um assaltante.

Samantha Vitena Barbosa, 31 anos, mulher negra, professora, pesquisadora, foi expulsa do voo da Gol, Linhas aéreas, por se recusar a despachar a mochila com seu notebook, em voo entre Salvador e São Paulo no mês de maio do corrente ano, 2023.

Antônio José da Silva Gonçalves, homem negro, pai, esposo, Professor, Psicopedagogo, Intelectual e Pesquisador.   No dia 24 de junho de 2023, durante os festejos juninos da cidade de Jequié-BA, foi vítima de uma abordagem truculenta da Polícia Militar do Estado da Bahia. O professor é um estudante do Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Formação de Professores - PPGECFP na UESB, foi professor substituto de Atendimento Educacional Especializado (AEE) do Instituto Federal da Bahia - Campus Jequié e integrou a Coordenação de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (CAPNE). Atualmente é membro do Núcleo de Estudos AfroBrasileiros e Indígenas (NEABI) do Campus.

William Silva, Nutricionista, Pedagogo, Coordenador do Curso de Nutrição na UNIFTC-Jequié, homem NEGRO, honesto, trabalhador. Acusado de roubo no camarote do São Pedro de Ipiaú. Abordado na frente de todos por Policiais Militares.

O corpo negro é o único alvo suspeito?

 

Até quando?

Até quando

Assistiremos ao genocídio de jovens negros,

"deitados eternamente em berço esplêndido"?

Até quando

Nossos sonhos serão aniquilados

com o braço da violência

E do racismo estrutural

Institucionalizado neste país?

Parafraseando Elza Soares,

Até quando

"A carne negra será a carne mais barata do mercado”?

Até quando

Eles vão abordar a juventude negra

Entregando-lhe sentença de morte,

Destruindo nossas famílias?

Até quando

Derramarão o nosso sangue em projetos “civilizatórios”

Considerando-nos seres sem alma,

Sem intelecto e em sonhos? (...)

 

Fabiana Moura mulher negra, Pedagoga, Professora, Pesquisadora. Escritora.

Instagram: @fabiiana.moura



 




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