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Para minha avó...Saudades

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  Minha avó partiu deste plano dia 20 de outubro. Deixou em nós marcas profundas de saudades. No dia, 30 de dezembro, atuando como voluntária no Instituto Diego Santos, conheci uma idosa que foi acolhida em situação de vulnerabilidade total, efeito das condições econômicas e pelo impacto dos alagamentos na área total do local em que reside, o Mandacaru 1 e 2, decorrente das chuvas no de 24 a 26 de dezembro na Bahia .  Quando olhava em seus olhos, escutava o relato das suas dores, rememorei a vida da minha avó. Edelzuita Maria, ou simplesmente Delza. Uma mulher destemida, conheceu de perto  escassez, enfrentou as opressões machistas num contexto marcado pelos silenciamentos e subalternização de mulheres negras.  Escrevo neste lugar, para que no  futuro, ou quando meu corpo  não mais estiver presente neste plano, a posteridade, especialmente, minhas filhas, saibam sobre nós, nossas raízes ancestrais. Como diz Dona Sueli Carneiro, " Nossos passos vêm de longe....

" E por quê um mês da Consciência Negra?"

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Hoje a Secretaria de Cultura, Secretaria de Desenvolvimento Social, Unegro, Artistas, Escolas e comunidade em geral se reuniram na Praça dos Poetas, Alto da Prefeitura de Jequié para culminar as atividades do Novembro Negro.  Na oportunidade mediei um momento de reflexão, por certo, necessário:   " E por quê um mês da Consciência Negra?"  Tecemos um percurso a partir de quem somos, da vida, da infância na Feira Livre em Jequié, dos lugares que nos forjaram na luta, nos enfrentamentos.  Para incendiar a fogueira e dizer basta a celeuma da Consciência Humana, a gente responde com  Poesia: Até quando? Até quando assistiremos o genocídio de jovens negros  "deitados eternamente em berço esplêndido"?  Até quando nossos sonhos serão aniquilados com o braço da violência  e do racismo estrutural e institucionalizado neste país?  Parafraseando Elza Soares...  Até quando  " A carne negra será a carne mais barata do mercado?   Até quando e...

“Mulheres e Mães Nas Ciências em Escrevivências”

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          Fonte da imagem: https://www.instagram.com/p/CSagf7Lnkxh/ Viver é travessia, trago esta fala como máxima existencial. Após escutar a   Doutora Bianca Santana na Roda de Conversa   do Grupo de Estudos e Pesquisas Oju Obìnirín, que em idioma iroubá significa Olho de Mulher, passei a semana com uma voz na cabeça dizendo: escreva! Aqui estou. O Observatório de Mulheres Negras é um quilombo em convergências de fé, força, coragem, acolhimento.   Um coletivo tecido por afetos, pesquisas, costuras infinitas, coordenado pela Doutora Núbia Regina Moreira e a Doutora Francislene Cerqueira. Na terça -feira, 10 de agosto, aconteceu A Roda de Conversa Pensar, Sentir, Viver, Escrever, Fazer, Divulgar a Pesquisa com a apresentação “Escavações e Escrevivências das Memórias de Mulheres Negras” com a pesquisadora, jornalista, escritora Bianca que me permitiu uma reconexão com minhas ancestralidades de um modo mais profundo, reconectei-me com memórias e...

Travessias de Gisele Gomes Andrade

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  Hoje o Travessias têm a honra de contar para o mundo a História de Vida e Formação de Gisele Gomes Andrade. Técnica de Segurança, Tecnóloga em Gestão Ambiental e Licenciada em Pedagogia. Especialista em Gestão de Pessoas, Gestão de Riscos; Concluinte da Especialização em Formação Docente e Práticas Pedagógicas pelo Instituto Federal Bahia. Esse   lugar de sincronicidade que por meio de Elane Nardotto me cerca de experiências transcendentais. Foi ela que me apresentou Gisele, esta Mulher Infinita como consagra a Poesia de Ryane Leão, “ Tudo Nela Brilha e Queima.” Gisele estudou em escola de cunho religioso, um dos fatos marcantes na vida desta mulher multifacetada foi assumir com liberdade as suas escolhas,   e por vezes, era apontada na escola por subverter os padrões impostos. Disruptiva, uma Anésia Cauaçu da sua geração? Uma garota da periferia, morou em áreas invadidas, engravidou aos dezesseis anos. Numa sociedade marcada pelo machismo, sexismo e desigualdade d...

Feminismo ou Feminismos?

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  Resenhando O Livro Teoria Feminsta: Da Margem ao Centro de bell hooks, publicado pela primeira vez em 1984 nos convoca para um entendimento mais amplo do movimento feminista rompendo com os ditames de uma concepção meramente burguesa do feminino, da competição por espaços de poder econômico na mesma guisa de privilégios supremacista, branco e heteronormativo. hooks nos desperta para a necessidade de agenda de mulheres negras engajando todas/todxs quanto considerarem relevante para a práxis revolucionária contra toda e qualquer forma de opressão e exclusão. Esta agenda representativa e formativa nas comunidades, nas ruas, nos centros, sobretudo nas áreas periféricas é o lastro para a construção da solidariedade política essencial para o enfrentamento das estruturas socioeconômicas do necrosistema que tem como combustível o sexismo, o racismo, a homofobia, o patriarcado, machismo...   retroalimentando a bolha violenta de manutenção dos privilégios de classes da ordem vig...

Projeto Travessias: Entrevista com Ivanildes Moura

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Travessia: Quem é você? Ivanildes Moura dos Santos, mulher preta, professora, escritora , vencedora do premio Zélia Saldanha 2005. Nascida em Jequié, interior da Bahia, filha de Terezinha Moura dos Santos e Antonio Marques dos Santos, ambos falecidos. Estudei em escola pública e fiz  conclusão do magistério em 1987. Travessia: Qual é sua área de formação, atuação profissional e experiências? Minha formação em Pedagogia - Uesb / segunda licenciatura em Artes Visuais- Uniasselvi. Pós-graduada em Literatura e Ensino de Literatura/ Especialização  em Antropologia das Culturas afro-brasileiras ambas  pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, atuei na mesma Universidade como pesquisadora do Órgão de Pesquisa em Educação e Relações Étnicas com ênfase em Cultura Afro-brasileira (ODEERE), certificado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).  Em 2006 atuei como Coordenadora do Núcleo  de Educação para a Diversidade Cultural e Étnic...

Travessias e Agendas Antirracistas

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 Racismos no Brasil: Costuras Reflexivas   O presente texto é fruto das lives realizadas no ano de 2020 relacionadas com a questão do racismo no Brasil. Diálogos tecidos com mulheres:  a pesquisadora e Assistente Social Marília do Amparo Alves sobre o Racismo e os caminhos de enfrentamentos, encontro amoroso e potente com a pesquisadora Maicelma Maia sobre Infâncias Negras, uma conversa de irmãs com Ivanildes Moura sobre Literatura Infantil Afrobrasileira e por fim, a participação no programa Trilha de Saberes com a Psicanalista Ieda Sampaio cuja temática foi “ Consciência Negra.” Não sou uma pesquisadora com aprofundamentos teóricos sobre a temática, venho me lançando em leituras que me atravessam no contexto e  convocam para agendas existenciais de enfrentamento e diálogos. São contínuas leituras de obras de autores/autor@s como: Abdias Nascimento, Bell Hooks, Sílvio de Almeida,  Djamila Ribeiro, Chimamanda, Conceição Evaristo, Eduardo Bonilla-Silva, Sue...